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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Com o tempo..




Com o tempo a gente aprende que (quase) nada é eterno, e, muito menos, acontece totalmente por acaso.
Aprende que, por mais que você faça todo o bem que pode, ainda vai receber de volta muita ingratidão. Cabe a você decidir continuar a fazê-lo ou não, por satisfação pessoal e sem espera de retorno.
Que o que tem que ficar, dá um jeito e (de fato) fica. Ou se vai; mas, cedo ou tarde, volta e recupera todo o tempo perdido.
Que as melhores pessoas aparecem 'aparentemente por acaso', e é o próprio Acaso que trata de sedimentá-las em sua vida até que você mesmo se dê conta do quão preciosas elas são.
Aprende que o tempo até cicatriza, mas isso depende do poder de cicatrização de cada um. Há aqueles que, por não saberem o que é o perdão, não deixam sarar nem mesmo um pequeno, raso e simples arranhão.
Que a carne não é fraca; sua resistência sim.
Que ninguém é melhor que ninguém; temos apenas pontos de falha diferentes. Naquilo que você é indefectível, se trata justamente da maior fraqueza de outro alguém.
Que tudo que você disser, poderá (e será) usado contra você, porque pra quem fala tudo minuciosamente calculado, ser espontâneo é um prato cheio de contradições.
E, aliás, aprende que ser contraditório faz parte da alma humana. É difícil ser sempre coerente em tudo, quando sequer se sabe de onde viemos e para onde vamos.

E, dentre tantas outras coisas que essa existência nos é capaz de ensinar, o resumo da obra acaba sendo este:
Que o tempo é professor e nos mostra, a cada segundo, o que realmente vale a pena. E que, por mais que, por agora, a gente viva lutando contra ele, no fim fica muito claro quem sempre teve razão..


domingo, 26 de agosto de 2012



Ela sonhava poder voar, não além das nuvens, mas acima dos seus limites. As dificuldades haviam-na castrado, machucado, amputado pedaços de suas frágeis asas, impedindo o voo livre. Limitada, tinha ânsia de sentir-se plena outra vez..
Cola, pano, arame, e uma dose de esperança e confiança. Mira profundamente seu reflexo no espelho, a procura de tanta ousadia dentro de seus olhos. Ergue o queixo, os ombros e a voz, e suspira na tentativa de que, assim como enche de ar, seu peito encha-se do destemido espírito de liberdade.
Se posso te aconselhar, te digo 'salta sem olhar pra trás', ignorando, junto, tudo que a fez sofrer e todo o tempo perdido desejando ardentemente que o jogo virasse. Bem garota, agora finalmente o tabuleiro te apetece. Mova as peças a seu favor..

A mudança só depende de você!

sábado, 23 de junho de 2012

Carta para um pseudo-amor


" Olha, tô te escrevendo pra dar um basta de vez nessa nossa história. Pra que esse fim tenha um ponto final bem maciço, que é pra, de novo, você não vir atrás de me procurar justamente quando eu resolver te esquecer.
 Eu sempre fui ciente do meu valor durante todos esses meus longos anos de vida. Mas parece que, em poucos meses, você virou minha cabeça. Esqueci amor-próprio, auto-conservação; virei um farrapo tentando, dia após dia, "servir" pra você... Ser suficiente, ser à altura, ser perfeita, cada vez mais tua. E única. Mas seus olhos rasos não puderam enxergar nenhum dos meus esforços, que pena. Tudo em vão.
Ora, hoje tô aqui, soltando sob o papel todos os meus medos, monstros, ilusões. Eles ão de acompanhar esta carta, acomodados, talvez, num cantinho do envelope, endereçados à você; ninguém menos que o legítimo criador. Já não me pertencem mais, agora me faço livre. Livre da submissão, do sofrimento, da desvalorização. Do amor louco e doente que eu fiz minha razão de ser, ao longo desses "alguns meses" que estive com você...
Toma, que é tua toda essa angústia. Tô aqui pra dizer que JÁ ERA, esse nosso pseudo-amor.  
 Toma teu rumo, que eu já tô tomando o meu. Mas guarda a sábia lição de nunca mais fazer pouco de alguém.
Não vou te desejar tudo de bom, dois beijinhos e tchau. Isso também. Mas desejo que minha falta doa e faça eco na tua alma, no teu peito e além.. E eu sei que, um hora, fará.
Que é pra você aprender a nunca mais me fazer chorar. Me magoar... Que é pra você (também) saber que sofri, mas agora já consegui me libertar. 
Olha, tô livre! De você.

Assinado:   eu.                um ex-pedaço seu.                    "
 
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

cenário



À passos largos. Ele sempre viera assim, com a mesma rapidez e pelo mesmo lugar desde quando ela fora capaz de notar. Andar seguro e ligeiro, imponente.. Ou talvez nem tão imponente assim, poderia ser apenas o tamborilar dos saltos do frágil coração dela, a cada passo de aproximação.
Desde a primeira vez que ele transpôs aquele espaço de entrada, este passou a ser dele. Tantos corpos movendo-se por entre aqueles pilares, mas nenhum possuía a graça e leveza; nenhum figurava tão bem naquele cenário quanto o dele.. Branca, azul, vermelha; qualquer camiseta lhe caía bem, bastava envolver o corpo dele. Pensando bem, talvez o cenário fosse ele, e a paisagem ao fundo não passasse de mera figurante.
(...)
Já faz um tempo que os negros e pequeninos olhos dela caçam aquela cena... Sem ele ali, tudo tem jeito de fotografia velha. Sem vida, nada mais que uma réplica sem graça de um momento cheio de magia.
Agora o vento sopra, relativamente forte, agitando as árvores daquele lugar, como que para mostrá-la que ali há vida sim, mesmo sem a presença dele.
E ela custa a entender como ele pôde encontrar outras entradas para marcar seus passos. Sabe que ninguém há de esperá-lo com aqueles olhinhos ansiosos que só pertencem a ela. Que são capazes até mesmo de materializá-lo ali, num eterno "repeat", onde na verdade não há ninguém e, para todos, não mais do que nada.
Sem notícias, sem a presença, sem o amor.
Intrigante que, apesar de tudo e por mais que ele esteja errado, ela ainda gaste seu papel e meia dúzia de horas de sono pensando nele...
Reflexões a parte. Mas que ali é o cenário dele, ah se é...


sábado, 9 de junho de 2012

Step by step (passo a passo)




Deixar para trás. Leave. É a palavra de ordem para aquilo que já não te serve mais.
Você bem sabe o quanto foi eterno enquanto durou, mas já não tem espaço em meu novo “eu”.
Metamorfose ou simples camuflagem. O sino da mudança badala, em compasso acelerado.
Não se há de permanecer atado àquilo que, definitivamente, JÁ ERA! Era amor, compreensão, força, dedicação. Meta, sonho ou, quem sabe, alucinação.
Foi! Hoje não passa de meia dúzia de páginas amareladas; só você (ou talvez eu) que relutava em perceber...
Com pequenas manchas de bolor, tais folhas são, pouco a pouco, extraídas do caderno com a delicadeza de quem não descarta memórias. Sim, você é assim. Será memória vívida e até sofrida, por um tempo. Mas sofrimento que passa. Passará, e você tomará forma e espaço onde cabe: no fundo do meu baú de lembranças.
Adultero essas tais reminiscências... Deleto tudo aquilo de ruim e dou contraste às capturas felizes.
Assim, pouco a pouco, torno menos dolorido e amargo o meu mundo sem você que, apesar de forma de mera memória, não estará (pra sempre) menos grafado que tatuagem, à prova de qualquer laser ou troca de pele.